segunda-feira, setembro 04, 2006

Preto no branco

Nestas férias de Verão, vi confirmada uma tendência, que registei nos últimos anos, em certas famílias bem: fazem-se acompanhar de um pretinho. Será certamente um resquício das eras coloniais; mas, agora, o dito cujo já não é um criadito ou o filho da cozinheira — é (pois é!) um recém-chegado e muito amado filho adoptivo da já numerosa família. Um fartote! Lá vai a criatura brincando com os manos e tentando impôr-se aos amigos dos mesmos, que o olham desconfiado.
Na estância balnear onde veraneei, eram perto de dez (parece mentira, mas é verdade!), de outras tantas antiquíssimas e, até agora, irrepreensíveis famílias portuguesas. Como reagirão os outros pais — por enquanto, muito aprovativos — quando os supraditos quiserem, muito legitimamente, casar com as suas ricas filhas?... Santa hipocrisia!
Deus me perdoe; mas, só vejo a hora em que os meninos comam as loiras manas.

11 Comments:

Blogger O Corcunda said...

Que infeliz post, Mendo!
As famílias não são senão comunidades de amor...
Já o eram na Grécia e em Roma. Não deixarão de o ser...

5:02 da tarde  
Blogger Rodrigo Nunes said...

É exactamente assim, Mendo, e, não sei se já notou, agora também é «in», para além de adoptar o pretinho da praxe, ter uma ama africana a cuidar das criancinhas. Estão a prepará-los para o futuro, imagino.

5:23 da tarde  
Blogger Rodrigo Nunes said...

Agora que penso nisso, a ama africana sempre foi costume,embora hoje o estatuto seja outro, calculo então que a novidade progressista é mesmo a adopção.

7:46 da tarde  
Blogger SA said...

é in ser anti-racista, é in namorar com pretos, ter pretos na familia, no circulo de amigos, ..., assim como foi in, em tempos, ter amigos gays. são modas ridiculas que, como qualquer moda, passam.
abraço

8:02 da tarde  
Blogger alex said...

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10:22 da tarde  
Blogger alex said...

Desta vez sou obrigado a concordar com o Corcunda.
Fala dos 'pretos' como se fossem animais ou pior.
Que se ache que devem estar preponderantemente na sua terra natal, aceita-se.

Agora isto?!...

Para católicos não está mau não senhor!!
Bem vãs são as palavras ditas na missa!
Então que é feito do facto de Deus ser o Pai de Todos, de sermos todos Irmãos e criados à imagem e semelhança Dele e etc,etc e tal??

Pois é, pois é...

10:24 da tarde  
Blogger carlos graff said...

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12:01 da manhã  
Blogger ab said...

Um resquício da era colonial não me parece que seja.
Lembro-me bem que (59 já cá «cantam»),na década de 60, em Angola, havia muito quadros médios e superiores africanos.
Nas universidades e colégios ultramarinos os africanos estavam, também, presentes, pois os portugueses nunca foram de «apartheid's», muito menos o Estado Novo, que considerava tão português um africano das Lundas ou do Namibe como um transmontano ou alentejano.

O grau de miscigenação, mesmo nos estratos «superiores» da sociedade colonial, não era despiciendo.
Tal facto é facilmente comprovavel pelo elevado número de mulatos hoje existente nas ex-colónias do Império Português.

12:06 da manhã  
Blogger Vanguardista said...

Oh Buiça, poupe-nos. Que alguém queira adoptar especificamente um preto só porque é preto (será que é mais louvável adoptar uma criança preta do que uma criança branca?, mas enfim, cada um tem as suas manias...) já é um pouco ridículo, agora fazê-lo porque é moda, porque “fica bem” ou é “moderno”, isso então é o cúmulo do absurdo!... (e de certa maneira, não deixa de ser um certo tipo de “racismo”, ao reduzir a tal criança preta a mero “objecto” que permite granjear prestígio social e “respeitabilidade” pc).

2:13 da manhã  
Blogger alex said...

Não sei porque o Vanguardista se 'vira' para mim!!

(É claro que por 'moda' (!!) também eu concedo que é algo ridículo.)

O meu comentário tem um âmbito um pouco mais alargado.

2:35 da manhã  
Blogger O Corcunda said...

O Vanguardista tem, obviamente, razão no que respeita à moda! É muito triste quando se acolhe alguém nessa comunidade de amor em função de coisas superficiais...
Isto funciona em dois sentidos!

10:03 da manhã  

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